10 de maio de 2009

Livro: Espiritismo Comunicar




Foi lançado no passado dia 01 de Maio, no decorrer das Jornadas de Cultura Espírita que se realizaram na bonita localidade medieval de Óbidos, o livro "Espiritismo Comunicar".

O livro tem o prefácio de João Xavier de Almeida, contém os trabalhos que foram apresentadas nas Jornadas de Cultura Espirita que se realizaram em 2008.

Esta foi uma forma que a ADEP (Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal) testemunha para a história, com os trabalhos apresentados, contribuindo para o enrequecimento da cultura espírita.

Pode pedir o livro à ADEP:
Apartado 1614711-910-BRAGA
email:
adep@adeportugal.org

Pode encontra-lo no Centro Cultura Espírita (aberto às Sextas a partir das 20h00)
Rua Francisco Ramos, nº 34 R/C
2500-831 Caldas da Rainha
email: cce@caldasrainha.net

Pode pedi-lo por telefone: 962 852 825Preço: 7,00 euros ( + portes )

FORÇA DO AMOR






Vejam a força do amor:

Uma história verdadeira que merece ser vista até ao fim...Porque nos lamentamos tanto ?.. Comentários para quê !.. (O MELHOR EMAIL DO ANO - C/SOM)


Um dia o filho pediu ao pai:

"Papá, vens correr comigo a maratona?"

O pai responde que sim, e ambos correm a primeira maratona juntos.
Um outro dia, volta a perguntar ao pai se quer voltar a correr a maratona
com ele, ao que o pai responde novamente que sim.
Correm novamente os dois.
Certo dia, o filho pergunta ao pai:

"Papá, queres correr comigo o Ironman?
(O Ironman é o mais difícil...exige
nadar 4 km, andar de bicicleta 180 km e correr 42 Km)
E o pai diz que sim.
Isto é tudo muito simples...até que se vejam estas imagens...!

Se não ficares com os olhos a nadar, talvez ainda não saibas o que é o amor!


O Espiritismo e a Investigação Científica
Deolindo Amorim
Brasil

(Texto publicado no Anuário Espírita 74 do "Instituto de Difusão Espírita" de Araras, São Paulo, Brasil)

Já ouvimos dizer, mais de uma vez, que "o Espiritismo parou no século XIX", em matéria de estudos científicos. Depois de uma fase realmente notável, fase em que refulgiram os nomes de CROOKES, AKSAKOF, ZOELLNER, por exemplo, nunca mais se fez um trabalho de cunho científico, na acepção exata. É o que se diz. Até certo ponto, sinceramente, honestamente, devemos reconhecer que a crítica tem alguma procedência, não há duvida. Das últimas décadas do século passado ao começo do nosso século[1], é inegável, houve experiências rigorosas, comunicações e relatórios de alto teor científico. De certo tempo em diante, parece que se deu uma espécie de arrefecimento do espírito científico no campo mediúnico. Isto não quer dizer que não haja material. Há, sim.

Bons médiuns existem por toda parte, ocorrem fenômenos relevantes, mas a impressão que se tem, hoje em dia, é de que não há mais investigadores do tipo de Crookes, Gibier, Bozzano e outros. Quase não se fazem registros nos trabalhos experimentais, nem há certos cuidados, na maioria dos casos. Muito fenômeno importante fica sem anotação, sem documento para exame ou verificação.

Queremos crer que haja homens de envergadura intelectual para investigações sérias, mas talvez não haja condições, ambiente favorável, em grande parte, pois nem todas as pessoas que se dedicam a parte experimental do Espiritismo tem mentalidade científica. Há muita diferença entre mentalidade científica e cultura científica. É certo que a cultura abre horizontes largos e pode contribuir muito para a formação da mentalidade, mas é preciso não perder de vista que muitas pessoas adquirem boa cultura científica, tem muita leitura, fazem cursos especializados, etc., etc., mas não tem a verdadeira mentalidade científica. Pode parecer um contra-senso. Quem, por exemplo, fica logo deslumbrado diante de um fenômeno ou de uma comunicação "sensacional" sem qualquer análise, não tem mentalidade científica, pois está procedendo apenas emocionalmente, não analiticamente. E quanta gente há, por aí, que procede assim, apesar de possuir currículos universitários?... Há pessoas que são muito rigorosas noutros campos de pesquisa, mas quando entram no campo mediúnico procedem mais como místicos do que propriamente como homens de ciência. Não basta, portanto, ter a formação científica dos livros ou dos cursos de Universidade, é preciso ter atitudes científicas diante dos fenômenos. E é o que muita gente não tem. Há pessoas, no entanto, que não fizeram uma cultura científica regular, não dispõe de certos instrumentos de pesquisa, mas apresentam reações diferentes, dando a impressão de que tem muito mais espírito científico do que muitos laureados. Mas não se pode dizer que não haja, atualmente, gente capaz de realizar trabalhos científicos. Talvez essas pessoas não encontrem compreensão nem apoio para certos tipos de sessões. É outro problema. Em que sociedade, em que ambiente organizar uma sessão com médiuns preparados para determinadas experiências? Não é fácil, digamos a verdade. Por isso mesmo, e sem analisar o problema também por outros ângulos, é que algumas pessoas dizem que "o Espiritismo parou no século passado". Não parou, pois a mediunidade não se acabou, mas a preocupação científica, em grande parte, está sendo prejudicada pelas atitudes devocionais, atitudes que pretendem muito mais divinizar os espíritos e santificar os médiuns do que, a rigor, procurar a verdade pelo fio da razão esclarecida.

O problema comporta ainda outras considerações, não pode ser colocado apenas dentro de uma faixa de crítica. Aqui mesmo, no Brasil, onde o Espiritismo não ficou apenas na pura comprovação mediúnica, já se deram fenômenos de grande valor científico, mas não se fez relatório, não se deu divulgação, a bem dizer. Indiscutivelmente, nós nos descuidamos de anotar, confrontar, registrar em ata, testemunhar. Tudo isso faz parte do legítimo espírito científico, que é sempre cauteloso. Nosso temperamento geralmente não dá muito para esperar com paciência, aguardando que as primeiras impressões se confirmem. Somos indiferentes em determinadas coisas e, ao mesmo tempo, somos precipitados noutras coisas: ou não damos a devida importância a manifestações realmente significativas ou somos capazes de nos arrebatar com pouca coisa... A experiência que o diga. O lado místico, por sua vez, também pesa muito na prática mediúnica e, por isso mesmo, não é fácil imprimir uma orientação metódica em determinados grupos, ainda que haja médiuns de possibilidades aproveitáveis. A legião de sofredores é muito grande, em todas as camadas sociais, e a maior parte do público, por isso mesmo, recorre aos "canais mediúnicos" simplesmente como fonte de consolações ou à procura de esclarecimentos imediatos para suas situações; nunca, porém, como elemento de pesquisa, com visão científica ou filosófica. Tudo isso, afinal-de-contas, deve ser objeto de consideração, pois há vários fatores confluentes no campo mediúnico. Então, voltemos ao ponto de partida: o Espiritismo não parou, mas as condições, hoje, são bem diferentes das condições em que pontificaram certos homens de ciência. Não se pode pensar em investigação científica sem pensar, necessariamente, no material humano que deve ser utilizado em trabalhos de tal natureza, muito específica e de muita complexidade.

No século passado[2] - vejamos bem - havia uma preocupação dominante, absorvente: provar ou negar a comunicação dos espíritos. Não havia outra alternativa. O Espiritismo enfrentava o desafio da ciência, muito mais relevante do que a sistemática oposição religiosa. Alguns homens de ciência entraram nesse campo exclusivamente para tirar a limpo a questão da comunicação entre vivos e mortos. Não tinham outro fito. E, por isso mesmo, empregaram todos os meios, forraram-se de cuidados especiais, amarraram médiuns, fiscalizaram sessões com vigilância implacáveis, mediram, pesaram, confrontaram, fizeram tudo. E era necessário. Chegaram às provas. A maioria deles ficou apenas no terreno experimental, deu testemunho, colocando-se corajosamente acima de preconceitos e conveniências, mas verdade é que não se dedicou à especulação filosófica, não chegou à Doutrina, em suma. Grande contribuição, indiscutivelmente, no campo experimental. Não foi o caso, entretanto, de Gabriel Delanne. Este, sim, tinha embocadura de experimentador, era homem de formação científica, mas também fez obra doutrinária, na linha intelectual de ALLA KARDEC, LÉON DENIS, por exemplo. DELANNE partiu do fenômeno, como vários outros, mas entrou na indagação, fez estudos filosóficos, tirou conclusões válidas e lúcidas. A todos, no entanto, de um lado e do outro lado, isto é, tanto do lado puramente fenomênico quanto do lado doutrinário, muito deve o movimento espírita, pois todos eles são figuras clássicas na história do Espiritismo.

De certo tempo em diante (devemos compreender bem a situação), uma vez provada e comprovada a comunicação entre vivos e mortos, naturalmente já não havia tanto interesse pelo campo experimental, diante dos depoimentos de homens de projeção científica, sem qualquer compromisso de ordem sentimental, religiosa ou doutrinária. Passou, até certo ponto, a fase das experiências objetivas, porque a própria expansão das idéias espíritas começou a provocar interesses de outra natureza, devido às necessidades humanas. Abriram-se, na realidade, dois focos de atenção: o fenômenico e o doutrinário. A divulgação da Doutrina criou a bem dizer uma polarização muito intensa, justamente porque muita gente queria mensagem, reclamava uma filosofia de vida, não se contentava somente com a prova direta das comunicações. Os estados de angústia, a desorientação espiritual, a falta de segurança interior, a deficiência de cultura religiosa, tudo isso, realmente, levou o homem, depois de algum tempo, a procurar a mensagem espírita em estado de quase sofreguidão e, por isso, deixou de se concentrar muito nas experiências científicas.

Veio, daí, a popularização do Espiritismo, trazendo certos prejuízos, é inegável, porque se desprezou muito o estudo sério, a pesquisa, o raciocínio analítico para enveredar pela simples crença nos espíritos, como que abrindo caminho para a formação de mais uma seita... Esse desvirtuamento, convenhamos, afastou certos homens afeitos a estudos científicos. Tudo isto é aceitável na consideração do problema. Há, porém, outro aspecto, e este deve ser levado em conta. É justamente o aspecto humano. O Espiritismo, hoje em dia, não é apenas um campo de experiências mediúnicas, é uma doutrina de vida, representa a solução de muitos problemas do homem moderno. As necessidades humanas vão aumentando cada vez mais, na medida em que a sociedade se torna mais complexa. E o Espiritismo, para boa parte da sociedade atual, é a "última esperança", é a grande resposta, que o homem não encontra noutras doutrinas, apesar de haver batido em muitas portas... É uma realidade diferente daquela realidade, que, na segunda metade do século XIX, viveram grandes experimentadores da fenomenologia mediúnica. Justamente por isso, o problema, não pode ser apresentado apenas por um prisma, seja qual for, mas através de vários angulos de observação, sobretudo quanto às peculiaridades de cada país. Podemos, pois, chegar a estas sumárias conclusões:

Em primeiro lugar, pelo fato de não haver, hoje, ao que conste, experiências do tipo de Crookes, Geley, Lombroso e outros, isto não significa que não haja médiuns nem tampouco nos permite concluir que o ciclo experimental do Espiritismo tenha deixado de ser necessário;
Em segundo lugar, se é verdade, até certo ponto, que a falta de interesse pela investigação científica é prejudicial à compreensão e ao conceito do Espiritismo, também é verdade que o homem atual é absorvido por uma série de problemas prementes e, por isso, o aspecto doutrinário tem, para ele, maior interesse no momento, por causa da mensagem, que vai ao sentimento, aliviando as feridas da alma.

De tudo isso, afinal, podemos inferir que é necessário encarecer e estimular as pesquisas, a experiência científica, que teve sua razão de ser no século passado[2] e ainda se faz indispensável nos dias atuais, mas não devemos perder de vista o lado verdadeiramente humano do Espiritismo diante do sofrimento e da profunda decadência moral que se observa em todos os níveis sociais. Não nos esqueçamos de que o Espiritismo atende, ou deve atender, ao mesmo tempo, a necessidades diversas: necessidades científicas, necessidades sociais, necessidades emocionais e assim por diante.

Observações do GEAE:
[1] Deolindo Amorim escreveu este texto em 1974 assim ele se refere ao período que vai das últimas décadas do século XIX ao início do XX.
[2] Século XIX

7 de maio de 2009


3 PERGUNTAS A:
JOÃO XAVIER DE ALMEIDA

Paz-Amor-Trabalho: - Faz sentido a querela
de o Espiritismo ser ou não ser religião?

JXA: - Não lhe encontro fundamento nem utilidade, quando está definido pelo próprio Codificador, com muita clareza, em que sentido o Espiritismo é religião e em que sentido não o é.
Na acepção filosófica e filológica do termo, o Espiritismo é religião, “e disso nos gloriamos”, como se exprimiu Allan Kardec no conhecido discurso do dia de finados, no ano de 1868. Nesse discurso, e contrariamente ao que por vezes se lê, Allan Kardec não afirma que o Espiritismo não é religião; apenas se interroga: “por que é, pois, que não declaramos que o Espiritismo é uma religião?”
É muito diferente, e ele mesmo responde porquê: na acepção vulgar, o termo religião está associado com a ideia de hierarquias, cerimónias, pompas, rituais, etc. Ora, todo esse folclore, certamente respeitável em contexto próprio e à luz da Antropologia e quiçá Etnografia, nada tem a ver com a noção pura de religião, e menos ainda com a inquirição científica e filosófica do Espiritismo.
Este, no seu também inegável aspecto religioso, rompe a ideia da suposta incompatibilidade entre fé e razão (ver capítulo primeiro do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo) e introduz um novo conceito de religião, quando rejeita a fé cega e consagra a noção de fé raciocinada, com fundamento no estudo racional e metódico de factos espíritas indesmentíveis (capítulo 19 do mesmo livro). A ciência “oficial” não conseguia explicá-los nem podia negá-los.
Na REVISTA DE ESPIRITISMO, órgão da FEP (nº 78, Outubro-Dezembro de 2008), abordei mais em pormenor esse tema, no artigo CIÊNCIA E RELIGIÃO.

PAT: - Se voltasse a ser presidente da FEP, qual a proposta relativa a arte?

JXA: - Sou pouco dotado em matéria de cultura artística, mas reconheço o valor que o Espiritismo, com muita razão, lhe atribui. Caber-me-ia, pois, ouvir com atenção e interesse o que nessa área me aconselhassem os entendidos, dentro e fora dos nossos meios, para poder concertar esforços no sentido de incrementar a tendência artística já manifesta no nosso movimento. Têm nele existido e continuam a existir actividades artísticas de variada expressão: teatro, bailado, música, poesia, pintura. Elas são merecedoras de estímulo e fomento, não só pelo seu valor cultural e educativo mas também como um bom veículo de explanação e divulgação da nossa doutrina.

PAT: - Como caracteriza o actual momento do movimento espírita português?

JXA: - O movimento caminha e progride, apesar de dificuldades intrínsecas.
Carecemos de viver mais autenticamente os valores espíritas, de integrar mais o ideal kardecista na nossa vida quotidiana, de nos motivarmos mais, de interagirmos mais (individual e colectivamente), de não temermos o “parece mal” do preconceito social.
Talvez por motivos de fundo cultural, tendemos a agir com individualismo e pouco sentido colectivo, a esperar muito dos outros e dar pouco de nós. Vê-se nos nossos centros, dum modo geral, sempre os mesmos companheiros a arcar com a iniciativa, a acção, a responsabilidade. Em parte, isso também se deve à pouca aptidão para delegar, distribuir competências: um atributo em que eu próprio, na FEP, me revelei pouco dotado.
Outra nossa característica, nada salutar, é a fraca adesão a algumas acções de interligação e cooperação, dois factores indispensáveis ao grande objectivo da UNIFICAÇÃO espírita, tão acarinhada pela espiritualidade superior. Ao falar em unificação, claro que tomamos o termo no sentido mais nobre; portanto avesso à ideia de unicidade de pontos de vista, ou a ideias de hegemonia e privilégios para pessoas ou grupos. Pensamos na unificação que tem provado a sua eficácia noutras latitudes, na qual as instituições de base e as de cúpula se entreajudam e se robustecem mutuamente, fazendo o movimento, global e metodicamente, progredir mais na capacidade de servir a sociedade de que faz parte, ajudando a elevar-lhe a espiritualidade, os padrões de consciência, de cidadania. E conquistando, até, prestígio público.
No passado, os bens ignobilmente usurpados à Federação Espírita Portuguesa pelo “Estado Novo” (1962), assim como todas as perseguições que este lhe moveu, aconteceram devido em grande parte ao morno idealismo dos próprios espíritas, à sua desunião, às meias-tintas duma prática espírita muito motivada pela busca do fenómeno mediúnico e bem pouco pelo padrão evangélico.
Espiritismo, no dizer de Emmanuel, é o Cristianismo redivivo. Se florisse então no nosso movimento algo da fibra evangélica dos primeiros cristãos, os bens da FEP nunca seriam confiscados; ou se fossem, bem pouco tardaria a sua devolução, com justa compensação por todos os danos sofridos.
Quanto ao presente: É impossível ignorar-se o mal-estar que transvaza da cúpula directiva do movimento, com temíveis prognósticos desagregadores.
Devemos sempre respeito e fraternidade aos nossos confrades, mesmo, ou sobretudo, quando equivocados e envolvidos (certamente a contra-gosto) na teia perigosa de situações de conflito, nas quais também qualquer de nós um dia pode cair. O quadro ameaçador encerra um aviso muito sério, que clama por todas as reservas de prudência e boa-vontade da nossa militância espírita, advertindo-nos mais uma vez do seguinte:
Sem dúvida, os estatutos civis da FEP, tal como os das outras instituições espíritas, merecem respeito e acatamento porque são necessários. Mas não esqueçamos que eles, como diria Jesus (Marcos 2.27), foram feitos para as instituições, e não estas para os estatutos. A melhor leitura que deles se possa fazer, há-de ser inspirada pela moral espírita, isto é, pelo Evangelho de Jesus nos corações. Este deve prevalecer como nosso estatuto supremo, uma vez que constitui, afinal, não só a razão de ser como também a segurança do movimento espírita português, contra todos os perigos.


João Xavier de Almeida
jxalmeida@portugalmail.pt

João Xavier de Almeida.
Desempenhou os seguintes cargos na FEP:
1984 / 1990 – Tesoureiro
1991/ 1992 – Vice-Presidente
1993 / 1998 – Presidente
Actualmente é colaborador na Comunhão Espírita Cristã, de Rio Tinto.
Fonte:
BOLETIM INFORMATIVO da Associação Cultural e Benefeciente Mudança Interior
MAIO 2009 ANO 2 NÚMERO 17

6 de maio de 2009

O Espírita e a Caridade

O espírita estudioso sabe que toda a moral de Jesus está consubstanciada na caridade e na humildade: caridade, que é o contraponto do egoísmo, e humildade, que representa o contraponto do orgulho.
Não há quem não anseie pela felicidade. Entretanto, ela jamais será alcançada sem a presença dessas duas virtudes. Isso porque a felicidade é um estado de espírito e tem a ver com o equilíbrio da mente e do coração, neste mundo e no outro.
Ninguém tem, efetivamente, essa paz de espírito se a consciência lhe cobra ter sido, no relacionamento com o próximo, maquiavélico, falso, dissimulado, insincero, antifraterno.Essa paz interior, entretanto, brota, quando o sentimento de solidariedade, de fraternidade, de amor, é exercitado, de inúmeras maneiras:A paciência com o próximo mais próximo;O amparo à criança e ao idoso;A assistência ao enfermo e ao recluso, e assim por diante.
Cada um tem a sua programação reencarnatória e nela diversas formas de praticar a caridade e a humildade.
Salvar-se, no entendimento espírita, significa bem aproveitar essas oportunidades, saindo-se vencedor nessa programação.Representa caridade e humildade calar-se diante da ofensa e perdoar.
Quem assim age está indo contra o egoísmo e o orgulho.E não é somente com relação ao próximo, mas também em relação a Deus.Quem ama o próximo está amando ao Criador. Quem revolta-se diante do próximo está se revoltando diante do Pai Maior: é como se dissesse, murmurando, “Deus é injusto colocando no meu caminho pessoa ou pessoas que me servem de prova, testando-me continuamente.”
Não se podendo amar verdadeiramente a Deus sem a prática efetiva da caridade em relação ao próximo, a garantia do progresso espiritual e moral reside no seu exercício.
Às vezes ouve-se questionamentos sobre se a filantropia seria caridade ou não.
A filantropia, por definição, significa amor à humildade.Assim sendo, se é caridade o amor ao próximo, é caridade também o amor à humildade (Jesus nos ama, a todos).
Como se sabe sobejamente, pelos ensinamentos espíritas, a caridade pode ser espiritual e/ou material e isso se aplica tanto a uma pessoa em particular como a um grupo maior ou menor de pessoas.
Na programação reencarnatória de todos está presente tanto uma como outra forma de caridade, desde a vida em família como a vida em sociedade.
O que varia de um para outro indivíduo é a particularidade da tarefa, seja em função de prova, de reparação, ou de ambos.No estágio evolutivo em que nos encontramos, ninguém se considerará missionário, no sentido religioso da palavra. Entretanto, quedar indiferente em relação às necessidades do próximo, se se pode de alguma forma ajudar, representa culposa omissão, da qual um dia se haverá de prestar contas.
A Doutrina Espírita, com o seu tríplice e indispensável aspecto, enfatizando a prática da caridade como condição para o desenvolvimento espiritual e moral, mostra o caminho a ser seguido pelos que já a compreendem.
Quanto mais estudo mais é sentida a necessidade da prática da caridade; quanto mais a caridade é praticada mais profundamente é sentido o efeito dessa causa em termos de bem estar espiritual.
Pela análise da essência da mensagem espírita, constata-se que o Espiritismo representa o Consolador, a reviscência do Cristianismo na sua pureza dos primeiros tempos cristãos. Ser espírita verdadeiro e buscar ser verdadeiro cristão.

Espíritas e cientistas em Óbidos
















Espíritas de todo Portugal e cientistas convidados debateram em Óbidos os factos espíritas e a continuidade da vida para além da morte.
O evento ocorreu nos dias 1 e 2 de Maio, pelo 5º ano consecutivo, com casa cheia.
As Jornadas de Cultura Espírita, inicialmente criadas para serem um espaço de debate entre as gentes do Oeste, logo no 1º ano se transformaram num evento nacional de grande procura.Organizadas pelos espíritas caldenses, estas Jornadas transformaram-se num espaço cultural aberto, de debate, diálogo entre espíritas e cientistas (alguns espíritas outros não espíritas) bem como médicos e psicólogos convidados.
De realçar que a Doutrina Espírita ou Espiritismo não é mais uma seita ou mais uma religião, sendo antes um conjunto de ideias que, se aplicadas no quotidiano, tornam o homem mais espiritualizado, aproximando-o assim mais de Deus.
A espiritualidade e a ciência estiveram de mãos dadas.
A abertura foi com a conferência do neuropsicólogo Manuel Domingos, sobre as Experiências de Quase-Morte em Portugal, relatando os seus casos com os seus pacientes, cativando as 200 pessoas que se deslocaram de todas as partes de Portugal até Óbidos, de Bragança, a Angra do Heroísmo, passando por localidades no Algarve, Norte e Centro do país.Após o debate que se seguiu à conferência, Thomas Bakk deu aos presentes grande lição de vida, encantando o auditório com as suas histórias bem dispostas e com grande profundidade moral, apesar de arrancarem sonoras gargalhadas que deixaram no ar um ambiente de boa disposição.
No dia seguinte decorreu a palestra de Vasco Marques sobre “Espiritismo e a Internet”. Ulisses Lopes, presidente da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) e director do Jornal de Espiritismo, “sacudiu” os presentes falando dos fenómenos espíritas e das suas consequências morais, referindo que o fenómeno mais importante geralmente é menosprezado – o fenómeno da transformação interior do ser humano.
Jorge Gomes falou das relações interpessoais, fazendo o paralelismo com o mundo animal, alertando para a necessidade da tolerância mútua, compreensão, aceitação, num mundo em mudança, onde os valores ético-morais devem ser reinvestidos.
Eugénia Rodrigues apresentou um caso pesquisado pela Associação Sociocultural Espírita de Braga, onde através da mediunidade (faculdade que permite ao ser humano percepcionar o mundo espiritual) de várias pessoas, durante um curso de educação da mediunidade, se conseguiu identificar, factualmente, um caso de reencarnação.
“Os factos espíritas são inquestionáveis: compete à ciência oficial confirmá-los ou desmenti-los”, foi afirmado.A parte da tarde estava destinada a José Lucas, que apresentou alguns factos espíritas acontecidos em Portugal, Noémia Margarido (administradora do Jornal de Espiritismo) que enfatizou os factos espíritas nas reuniões de educação da mediunidade, bem como a Vítor Rodrigues, doutorado em Psicologia, que, não sendo espírita, fez uma abordagem da vida para além da morte.
Gláucia Lima, psiquiatra, apresentou factos espíritas que acontecem nas regressões de memória, com um caso real, que conseguiu prender os presentes até ao último minuto. Reinaldo Barros fez a conclusão/resumo dos trabalhos apresentados, a que juntou as suas músicas, após breve intervenção de Xavier de Almeida (presidente da mesa da Assembleia Geral da ADEP), que sublinhou a importância da Doutrina Espírita, como meio da humanidade se espiritualizar e aproximar de Deus.
Este evento foi transmitido via Internet para todo o mundo, gratuitamente, ficando disponível em breve em www.adeportugal.org.
Os 200 congressistas saíram satisfeitos, apelando à continuidade das Jornadas no próximo ano.O evento teve o apoio da Óbidos Patrimonium, Jornal das Caldas, Jornal Mais Oeste, 94.8FM, Laboratórios de Análises Clínicas Virgílio Roldão, Loukomotiv (Braga), entre outras entidades particulares e públicas.

19 de abril de 2009

Descrição de Júpiter


Casa de Mozart em Júpiter

Uma residência em Júpiter de acordo com Victorien Sardou






Extraído da Revista Espírita, Abril de 1858
Por Allan Kardec



NOTA: Por evocações anteriores sabíamos que Bernard Palissy, o célebre oleiro do século XVI, habita Júpiter. As respostas que se seguem confirmam em todos os pontos quanto nos foi dito sobre esse planeta, em várias ocasiões, por outros Espíritos e através de diferentes médiuns. Pensamos que serão lidas com interesse, como complemento do quadro que traçamos em nosso último número. A identidade que apresentam com as descrições anteriores é um fato notável que vale pelo menos como uma presunção de exatidão.

1. Onde te encontraste ao deixar a Terra?
R: Ainda me demorei nela.

2. Em que condições estavas aqui?
R: Sob o aspecto de uma mulher amorosa e dedicada. Era uma simples missão.

3. Essa missão durou muito?
R: Trinta anos.

4. Lembras-te do nome dessa mulher?
R: Era obscuro.

5. Agrada-te a estima em que são tidas as tuas obras? Isto te compensa os sofrimentos que suportaste?
R: Que me importam as obras materiais de minhas mãos? O que me importa é o sofrimento que me elevou.

6. Com que fim traçaste, pela mão do Sr. Victorien Sardou (1) os admiráveis desenhos que nos deste sobre o planeta Júpiter, onde habitas?
R: Com o fim de vos inspirar o desejo de vos tornardes melhores.

7. Desde que vens com freqüência a esta Terra que habitaste várias vezes, deves conhecer bastante o seu estado físico e moral para estabelecer uma comparação entre ela e Júpiter. Pediríamos que nos elucidasses sobre diversos pontos.
R: Ao vosso globo venho apenas como Espírito; o Espírito não tem mais sensações materiais.

ESTADO FÍSICO DO GLOBO

8. Pode-se comparar a temperatura de Júpiter a de uma de nossas latitudes?
R: Não. Ela é suave e temperada; é sempre igual, enquanto a vossa varia. Lembrai-vos dos Campos Elíseos, cuja descrição já vos fizeram.

9. O quadro que os antigos nos deram dos Campos Elíseos seria resultado do conhecimento intuitivo que eles tinham de um mundo superior, tal como Júpiter, por exemplo?
R: Do conhecimento positivo. A evocação permanecia nas mãos dos sacerdotes.

10. A temperatura, como aqui, varia conforme a latitude?
R: Não.

11. Segundo os nossos cálculos, o Sol deve aparecer aos habitantes de Júpiter num ângulo muito pequeno e, conseqüentemente, dar muito pouca luz. Podes dizer-nos se a intensidade da luz é ali igual à da Terra ou se é menos forte?
R: Júpiter é cercado de uma espécie de luz espiritual, em relação com a essência de seus habitantes. A luz grosseira de vosso Sol não foi feita para eles.

12. Há uma atmosfera?
R: Sim.

13. A atmosfera de Júpiter é formada dos mesmos elementos que a atmosfera terrestre?
R: Não: os homens não são os mesmos; suas necessidades mudaram.

14. Lá existem água e mares?
R: Sim.

15. A água é formada dos mesmos elementos que a nossa?
R: Mais etérea.

16. Há vulcões?
R: Não. Nosso globo não é atormentado como o vosso: lá a Natureza não teve suas grandes crises. É a morada dos bem-aventurados. Nele, a matéria quase não existe.

17. As plantas têm analogia com as nossas?
R: Sim; mas são mais belas.

ESTADO FÍSICO DOS HABITANTES

18. A conformação do corpo dos seus habitantes tem relação com a nossa?
R: Sim: ela é a mesma.

19. Podes dar-nos uma idéia de sua estatura, comparada com a dos habitantes da Terra?
R: Grandes e bem proporcionados. Maiores que os vossos maiores homens. O corpo do homem é como a impressão de seu espírito: belo, onde ele é bom. O invólucro é digno dele: não é mais uma prisão.

20. Lá os corpos são opacos, diáfanos ou translúcidos?
R: Há uns e outros. Uns têm tal propriedade; outros têm outra, conforme o seu destino.

21. Compreendemos isto em relação aos corpos inertes. Mas nossa pergunta refere-se aos corpos humanos.
R: O corpo envolve o Espírito sem o ocultar, como um tênue véu lançado sobre uma estátua. Nos mundos inferiores o envoltório grosseiro oculta o Espírito aos seus semelhantes. Mas os bons nada mais têm para se ocultarem: podem ler reciprocamente em seus corações. Que aconteceria se assim fosse aqui?

22. Lá existe diferença de sexo?
R: Sim: há por toda parte onde existe a matéria; é uma lei da matéria.

23. Qual a base da alimentação dos habitantes? É animal e vegetal como aqui?
R: Puramente vegetal. O homem é o protetor dos animais.

24. Disseram-nos que parte de sua alimentação é extraída do meio ambiente, cujas emanações eles aspiram. É verdade?
R: Sim.

25. Comparada com a nossa, a duração da vida é mais longa ou mais curta?
R: Mais longa.

26. Qual é a duração média da vida?
R: Como medir o tempo?

27. Não podes tomar um dos nossos séculos como termo de comparação?
R: Creio que mais ou menos cinco séculos.

28. O desenvolvimento da infância é proporcionalmente mais rápido que o nosso?
R: O homem conserva sua superioridade: a infância não comprime a inteligência nem a velhice a extingue.

29. Os homens são sujeitos a doenças?
R: Não estão sujeitos aos vossos males.

30. A vida está dividida entre o sono e a vigília?
R: Entre a ação e o repouso.

31. Poderias dar-nos uma idéia das várias ocupações dos homens?
R: Teria que falar muito. As suas principais ocupações são o encorajamento dos Espíritos que habitam os mundos inferiores, a fim de que perseverem no bom caminho. Não havendo entre eles infortúnios a serem aliviados, vão procurá-los onde esses existem: são os bons Espíritos que vos amparam e vos atraem para o bom caminho.

32. Lá são cultivadas algumas artes?
R: Lá elas são inúteis. As vossas artes são brinquedos que distraem as vossas dores.

33. A densidade especifica do corpo humano permite ao homem transportar-se de um a outro ponto, sem ficar, como aqui, preso ao solo?
R: Sim.

34. Existem lá o tédio e o desgosto da vida?
R: Não: o desgosto da vida origina-se no desprezo de si mesmo.

35. Sendo os corpos dos habitantes de Júpiter menos densos que os nossos, são formados de matéria compacta e condensada ou vaporosa?
R: Compacta para nós; mas não o seria para vós: ela é menos condensada.

36. O corpo, considerado como feito de matéria, é impenetrável?
R: Sim.

37. Os habitantes têm, como nós, uma linguagem articulada?
R: Não; há entre eles a comunicação pelo pensamento.

38. A segunda vista é, como nos informaram, uma faculdade normal e permanece entre vós?
R: Sim. O Espírito não conhece entraves: nada lhe é oculto.

39. Se nada é oculto ao Espírito, conhece ele o futuro? Referimo-nos aos Espíritos encarnados em Júpiter.
R: O conhecimento do futuro depende do grau de perfeição do Espírito: isto tem menos inconvenientes para nós do que para vós; é-nos mesmo necessário, até certo ponto, para a realização das missões de que nos incumbem. Mas dizer que conheçamos o futuro sem restrições seria nivelar-nos a Deus.

40. Podereis revelar-nos tudo quanto sabeis sobre o futuro?
R: Não. Esperai até que tenhais merecido sabê-lo.

41. Comunicai-vos mais facilmente que nós com os outros Espíritos?
R: Sim; sempre. Não existe mais a matéria entre eles e nós.

42. A morte inspira o mesmo horror e pavor que entre nós?
R: Porque seria ela apavorante? Entre nós já não existe o mal. Só o mau se apavora ante o seu último instante: teme o seu juiz.

43. Em que se transformam os habitantes de Júpiter depois da morte?
R: Crescem sempre em perfeição, sem passar por mais provas.

44. Não haverá em Júpiter Espíritos que se submetam a provas a fim de cumprir uma missão?
R: Sim; mas não é uma prova: só o amor do bem os leva ao sofrimento.

45. Podem eles falhar em sua missão?
R: Não, porque são bons. Só existe fraqueza onde haja defeitos.

46. Poderias nomear alguns dos Espíritos habitantes de Júpiter que tivessem desempenhado uma grande missão na Terra?
R: São Luís.

47. Não poderias nomear outros?
R: Que vos importa? Há missões desconhecidas, cujo objetivo e a felicidade de um só. Por vezes são as maiores; e as mais dolorosas.

DOS ANIMAIS

48. O corpo dos animais é mais material que o dos homens?
R: Sim. O homem é o rei, o deus planetário.

49. Há animais carnívoros?
R: Os animais não se estraçalham mutuamente. Vivem todos submetidos ao homem e se amam entre si.

50. Há porém animais que escapam à ação do homem, assim como os insetos, os peixes e os pássaros?
R: Não: todos lhe são úteis.

51. Disseram-nos que os animais são os operários e os capatazes que executam os trabalhos materiais, constroem as habitações, etc. É exato?
R: Sim. O homem não mais se rebaixa para servir ao semelhante.

52. Os animais servidores estão ligados a uma pessoa ou família, ou são tomados e trocados à vontade, como aqui?
R: Todos estão ligados a uma família particular. Vós mudais à procura do melhor.

53. Os animais servidores vivem em escravidão ou no estado de liberdade? São uma propriedade, ou podem, à vontade, mudar de patrão?
R: Estão no estado de submissão.

54. Os animais trabalhadores recebem alguma remuneração por seus trabalhos?
R: Não.

55. As faculdades dos animais são desenvolvidas por uma espécie de educação?
R: Eles as desenvolvem por si mesmos.

56. Têm os animais uma linguagem mais precisa e caracterizada que a dos animais terrenos?
R: Certamente.

ESTADO MORAL DOS HABITANTES

57. As habitações de que nos deste uma mestra nos teus desenhos estão reunidas em cidades como aqui?
R: Sim. Aqueles que se amam se reúnem. Só as paixões estabelecem a solidão em torno do homem. Se o homem ainda mau procura o seu semelhante, que é para ele um instrumento de dor, por que o homem puro e virtuoso deveria fugir de seu irmão?

58. Os Espíritos são iguais ou de várias graduações?
R: De diversos graus, mas da mesma ordem.

59. Pedimos que te reportes especialmente à escala espírita que demos no segundo número da Revista e que nos digas a que ordem pertencem os Espíritos encarnados em Júpiter.
R: Todos bons, todos superiores. Por vezes o bem desce até o mal; entretanto, o mal jamais se mistura com o bem.

60. Os habitantes formam diferentes povos como aqui na Terra?
R: Sim: mas todos unidos entre si pelos laços do amor.

61. Sendo assim, as guerras são desconhecidas?
R: Pergunta inútil.

62. O homem poderia chegar, na Terra, a um tal grau de perfeição que a guerra fosse desnecessária?
R: Ele chegará a isto, sem a menor dúvida. A guerra desaparecerá com o egoísmo dos povos e à medida que melhor seja compreendida a fraternidade.

63. Os povos são governados por chefes?
R: Sim.

64. Em que consiste a autoridade dos chefes?
R: No seu grau superior de perfeição.

65. Em que consiste a superioridade e a inferioridade dos Espíritos em Júpiter, de vez que todos são bons?
R: Têm maior ou menor soma de conhecimentos e de experiência; depuram-se à medida que se esclarecem.

66. Como aqui na Terra, lá existem povos mais ou menos avançados que outros?
R: Não; mas entre os povos há diversos graus.

67. Se o povo mais adiantado da Terra fosse transportado para Júpiter, que posição ocuparia?
R: A que entre vós é ocupada pelos macacos.

68. Lá os povos se regem por leis?
R: Sim.

69. Há leis penais?
R: Não há mais crimes.

70. Quem faz as leis?
R: Deus as fez.

71. Há ricos e pobres? Por outras palavras: há homens que vivem na abundância e no supérfluo e outros a quem falta o necessário?
R: Não: todos são irmãos. Se um possuísse mais que o outro, com este repartiria; não seria feliz quando seu irmão fosse necessitado.

72. De acordo com isso as fortunas de todos seriam iguais?
R: Eu não disse que todos sejam igualmente ricos. Perguntaste se haveria gente com o supérfluo enquanto a outros faltasse o necessário.

73. As duas respostas se nos afiguram contraditórias. Pedimos que estabeleças a concordância.
R: A ninguém falta o necessário; ninguém tem o supérfluo. Por outras palavras, a fortuna de cada um está em relação com a sua condição. Estais satisfeitos?

74. Agora compreendemos. Mas te perguntamos, entretanto, se aquele que tem menos não é infeliz em relação àquele que tem mais?
R: Ele não pode sentir-se infeliz, desde que nem é invejoso nem ciumento. A inveja e o ciúme produzem mais infelizes que a miséria.

75. Em que consiste a riqueza em Júpiter?
R: Em que isto vos importa?

76. Há desigualdades sociais?
R: Sim.

77. Em que estas se fundam?
R: Nas leis da sociedade. Uns são mais adiantados que outros na perfeição. Os superiores têm sobre os outros uma espécie de autoridade, como um pai sobre os filhos.

78. As faculdades do homem são desenvolvidas pela educação?
R: Sim.

79. Pode o homem adquirir bastante perfeição na Terra para merecer passar imediatamente a Júpiter?
R: Sim. Mas na Terra é o homem submetido a imperfeições a fim de estar em relação com os seus semelhantes.

80. Quando um Espírito deixa a Terra e deve reencarnar-se em Júpiter, fica errante durante algum tempo, até encontrar o corpo a que se deve unir?
R: Fica errante durante algum tempo, até que se tenha livrado das imperfeições terrenas.

81. Há várias religiões?
R: Não. Todos professam o bem e todos adoram um só Deus.

82. Há templos e um culto?
R: Por templo há o coração do homem; por culto, o bem que ele faz.

(1) Victorien Sardou, médium psicógrafo que trabalhou com Allan Kardec: embora não soubesse desenho, foi o instrumento para os esplêndidos quadros de cenas de outros planetas. Foi membro da Academia Francesa e um dos mais fecundos comediógrafos franceses. (N. do T.)

18 de abril de 2009

Filmes Espíritas





Jornadas de Cultura Espírita ADEP

A música espiritual de Mozart








Em 27 de janeiro de 1756 nascia em Salzburg, na Áustria, o compositor Wolfgang Gottlieb Mozart. Desencarnou em 5 de dezembro de 1791 mas, 68 anos depois, a música do génio austríaco novamente veio alegrar os que vivem na Terra. Mozart foi evocado e dele se obteve belas comunicações espíritas, em que o compositor, emocionado, convidava à vivência do bem, da ética e do amor.
O Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, publicou as evocações particulares na Revista Espírita (edições de 1858 e 1859). Em 1859, ele ditou a Dorgeval um fragmento de sonata. Na reunião do dia 8 de abril de 1859, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a música mediúnica foi tocada pela Srta. de Davans, ex-aluna de Chopin. Os dois compositores - Mozart e Chopin - foram evocados por Kardec na ocasião. No dia 9 de outubro de 1861, diversos livros espíritas foram queimados no episódio conhecido como ”Auto-de-Fé de Barcelona”. Entre eles, cópias do fragmento de sonata de Mozart. Desde o século 19, não mais se falou na peça. Em 2004, o fragmento de sonata foi encontrado em uma Biblioteca de Londres e enviado para a FEB. Com a ajuda de software de edição de partituras, o engenheiro Alexandre Zaghetto recuperou a música.
Abaixo o relato de Kardec sobre o dia em que a sonata de Mozart foi tocada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e as evocações do Espírito de Mozart e Chopin.

MÚSICA DE ALÉM-TÚMULO Revista Espírita de Maio, 1859

O Espírito de Mozart acaba de ditar ao nosso excelente médium, sr. Bryon Dorgeval, um fragmento de sonata. Como método de controle, o médium o fez ouvir por diversos especialistas, sem lhes indicar a origem, mas lhes perguntando apenas o que achavam no trecho. Cada um nele reconheceu, sem hesitação, o cunho de Mozart. O trecho foi executado na sessão da Sociedade de 8 de abril, em presença de numerosos conhecedores, pela senhorita de Davans, aluna de Chopin e distinta pianista, que teve a gentileza de nos emprestar o seu concurso. Como elemento de comparação, a senhorita de Davans executou antes uma sonata de Mozart, composta quando vivo. Todos foram unânimes em reconhecer não só a perfeita identidade do género, mas a superioridade da composição espírita. A seguir, pela mesma pianista, foi executado um trecho de Cho­pin, com o seu talento habitual.
Não poderíamos perder esta ocasião para evocar os dois compositores, com os quais tivemos a seguinte palestra. (Allan Kardec)


MOZART


1. Sem dúvida conheceis o motivo por que vos chamamos.R: Vosso apelo é-me agradável.
2. Reconheceis como tendo sido ditado por vós o trecho que acabamos de ouvir?R: Sim. Eu o reconheço perfeitamente. O médium que me serviu de intérprete é um amigo que não me traiu.
3. Qual dos dois trechos preferis?R: Sem comparação, o segundo.
4. Porque?R: A doçura e o encanto nele são mais vivos e, ao mesmo tempo, mais delicados.
NOTA: São, realmente, estas as qualidades reconhecidas no trecho.
5. A música do mundo que habitais pode comparar-se à nossa?R: Teríeis dificuldades de compreender. Temos sentidos que ainda não possuís.
6. Disseram-nos que no vosso mundo há uma harmonia natural, universal, que aqui não conhecemos.R: É verdade. Em vossa Terra fazeis a música; aqui toda a natureza faz ouvir sons melodiosos.
7. Poderíeis vós mesmo tocar piano?R: Sem dúvida que sim. Mas não o quero: seria inútil.
8. Seria, entretanto, poderoso motivo de convicção.R: Não estais convencidos?
NOTA: Sabe-se que os Espíritos jamais se submetem a provas. Muitas vezes fazem espontaneamente aquilo que lhes não pedimos. Esta, aliás, entra na categoria das manifestações físicas, com o que se não ocupam os Espíritos elevados.
9. Que pensais da recente publicação de vossas cartas?R: Avivaram muito as minhas lembranças.
10. Vossa lembrança está na memória de todos. Poderíeis precisar o efeito que essas cartas produziram?R: Sim. Apegaram-se muito mais a mim como homem do que antes.
NOTA: A pessoa, aliás estranha à Sociedade, que fez estas últimas perguntas, confirma que essa foi, realmente, a impressão produzida por aquela publicação.
11. Desejamos interrogar Chopin. É possível?R: Sim. Ele é mais triste e mais sombrio que eu.


CHOPIN


12. Poderíeis dizer-nos em que situação vos achais como Espírito?R: Sim. Ainda errante.
13. Lamentais a vida terrena?R: Eu não sou infeliz.
14. Sois mais feliz do que antes?R: Sim, um pouco.
15. Dizeis um pouco, o que quer dizer que não há grande diferença. Que é o que vos falta para o serdes mais?R: Eu digo um pouco em relação àquilo que eu poderia ter sido; porque com a minha inteligência eu poderia ter avançado mais do que avancei.
16. Esperais alcançar um dia a felicidade que vos falta atualmente?R: Certamente que ela virá. Não serão necessárias novas provas.
17. Mozart disse que sois sombrio e triste. Por que isto?R: Mozart tem razão. Entristeço-me porque tinha empreendido uma prova que não realizei bem e não tenho coragem de recomeçá-la.
18. Como considerais as obras musicais?R: Eu as prezo muito. Mas entre nós fazemo-las melhores; sobretudo as executamos melhor. Dispomos de mais recursos.
19. Quem são, pois, os vossos executantes?R: Temos às nossas ordens legiões de executantes, que tocam as nossas composições com mil vezes mais arte do que qualquer de vós. São músicos completos. O instrumento de que se servem é a própria garganta, por assim dizer, e são auxiliados por uns instrumentos, espécies de órgãos, de uma precisão e de uma melodia que, parece, não podeis compreender.
20. Sois muito errante?R: Sim. Isto é, não pertenço a nenhum planeta exclusivamente.
21. E os vossos executantes? São, também, errantes?R: Errantes como eu.
22. (A Mozart). Teríeis a bondade de explicar o que acaba de dizer Chopin? Não compreendemos essa execução por Espírito errantes.R: Compreendo o vosso espanto. Entretanto já vos disse­mos que há mundos particularmente afetos aos seres errantes, mundos nos quais podem habitar temporariamente, espécies de bivaques, de campos de repouso para seus Espíritos, fatigados por uma longa erraticidade, estado sempre um pouco penoso.
23. (A Chopin). Reconheceis aqui um de vossos alunos?R: Sim. Parece.
24. Teríeis a bondade de assistir à execução de um trecho de vossa composição?R: Isto me daria muito prazer, sobretudo quando executado por uma pessoa que guardou de mim uma grata recordação. Que ela receba os meus agradecimentos.
25. Quereis dar a vossa opinião sobre a música de Mozart?R: Gosto muito. Considero Mozart como meu mestre.
26. Partilhais de sua opinião sobre a música de hoje?R: Mozart disse que a música era melhor compreendida em seu tempo do que hoje. Isto é verdade. Objetarei, entretanto, que ainda existem verdadeiros artistas.

Para ouvir música:

http://www.4shared.com/file/87943989/3956f68b/Sonata_Mediunica_de_Mozart.html