18 de abril de 2009

A música espiritual de Mozart








Em 27 de janeiro de 1756 nascia em Salzburg, na Áustria, o compositor Wolfgang Gottlieb Mozart. Desencarnou em 5 de dezembro de 1791 mas, 68 anos depois, a música do génio austríaco novamente veio alegrar os que vivem na Terra. Mozart foi evocado e dele se obteve belas comunicações espíritas, em que o compositor, emocionado, convidava à vivência do bem, da ética e do amor.
O Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, publicou as evocações particulares na Revista Espírita (edições de 1858 e 1859). Em 1859, ele ditou a Dorgeval um fragmento de sonata. Na reunião do dia 8 de abril de 1859, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a música mediúnica foi tocada pela Srta. de Davans, ex-aluna de Chopin. Os dois compositores - Mozart e Chopin - foram evocados por Kardec na ocasião. No dia 9 de outubro de 1861, diversos livros espíritas foram queimados no episódio conhecido como ”Auto-de-Fé de Barcelona”. Entre eles, cópias do fragmento de sonata de Mozart. Desde o século 19, não mais se falou na peça. Em 2004, o fragmento de sonata foi encontrado em uma Biblioteca de Londres e enviado para a FEB. Com a ajuda de software de edição de partituras, o engenheiro Alexandre Zaghetto recuperou a música.
Abaixo o relato de Kardec sobre o dia em que a sonata de Mozart foi tocada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e as evocações do Espírito de Mozart e Chopin.

MÚSICA DE ALÉM-TÚMULO Revista Espírita de Maio, 1859

O Espírito de Mozart acaba de ditar ao nosso excelente médium, sr. Bryon Dorgeval, um fragmento de sonata. Como método de controle, o médium o fez ouvir por diversos especialistas, sem lhes indicar a origem, mas lhes perguntando apenas o que achavam no trecho. Cada um nele reconheceu, sem hesitação, o cunho de Mozart. O trecho foi executado na sessão da Sociedade de 8 de abril, em presença de numerosos conhecedores, pela senhorita de Davans, aluna de Chopin e distinta pianista, que teve a gentileza de nos emprestar o seu concurso. Como elemento de comparação, a senhorita de Davans executou antes uma sonata de Mozart, composta quando vivo. Todos foram unânimes em reconhecer não só a perfeita identidade do género, mas a superioridade da composição espírita. A seguir, pela mesma pianista, foi executado um trecho de Cho­pin, com o seu talento habitual.
Não poderíamos perder esta ocasião para evocar os dois compositores, com os quais tivemos a seguinte palestra. (Allan Kardec)


MOZART


1. Sem dúvida conheceis o motivo por que vos chamamos.R: Vosso apelo é-me agradável.
2. Reconheceis como tendo sido ditado por vós o trecho que acabamos de ouvir?R: Sim. Eu o reconheço perfeitamente. O médium que me serviu de intérprete é um amigo que não me traiu.
3. Qual dos dois trechos preferis?R: Sem comparação, o segundo.
4. Porque?R: A doçura e o encanto nele são mais vivos e, ao mesmo tempo, mais delicados.
NOTA: São, realmente, estas as qualidades reconhecidas no trecho.
5. A música do mundo que habitais pode comparar-se à nossa?R: Teríeis dificuldades de compreender. Temos sentidos que ainda não possuís.
6. Disseram-nos que no vosso mundo há uma harmonia natural, universal, que aqui não conhecemos.R: É verdade. Em vossa Terra fazeis a música; aqui toda a natureza faz ouvir sons melodiosos.
7. Poderíeis vós mesmo tocar piano?R: Sem dúvida que sim. Mas não o quero: seria inútil.
8. Seria, entretanto, poderoso motivo de convicção.R: Não estais convencidos?
NOTA: Sabe-se que os Espíritos jamais se submetem a provas. Muitas vezes fazem espontaneamente aquilo que lhes não pedimos. Esta, aliás, entra na categoria das manifestações físicas, com o que se não ocupam os Espíritos elevados.
9. Que pensais da recente publicação de vossas cartas?R: Avivaram muito as minhas lembranças.
10. Vossa lembrança está na memória de todos. Poderíeis precisar o efeito que essas cartas produziram?R: Sim. Apegaram-se muito mais a mim como homem do que antes.
NOTA: A pessoa, aliás estranha à Sociedade, que fez estas últimas perguntas, confirma que essa foi, realmente, a impressão produzida por aquela publicação.
11. Desejamos interrogar Chopin. É possível?R: Sim. Ele é mais triste e mais sombrio que eu.


CHOPIN


12. Poderíeis dizer-nos em que situação vos achais como Espírito?R: Sim. Ainda errante.
13. Lamentais a vida terrena?R: Eu não sou infeliz.
14. Sois mais feliz do que antes?R: Sim, um pouco.
15. Dizeis um pouco, o que quer dizer que não há grande diferença. Que é o que vos falta para o serdes mais?R: Eu digo um pouco em relação àquilo que eu poderia ter sido; porque com a minha inteligência eu poderia ter avançado mais do que avancei.
16. Esperais alcançar um dia a felicidade que vos falta atualmente?R: Certamente que ela virá. Não serão necessárias novas provas.
17. Mozart disse que sois sombrio e triste. Por que isto?R: Mozart tem razão. Entristeço-me porque tinha empreendido uma prova que não realizei bem e não tenho coragem de recomeçá-la.
18. Como considerais as obras musicais?R: Eu as prezo muito. Mas entre nós fazemo-las melhores; sobretudo as executamos melhor. Dispomos de mais recursos.
19. Quem são, pois, os vossos executantes?R: Temos às nossas ordens legiões de executantes, que tocam as nossas composições com mil vezes mais arte do que qualquer de vós. São músicos completos. O instrumento de que se servem é a própria garganta, por assim dizer, e são auxiliados por uns instrumentos, espécies de órgãos, de uma precisão e de uma melodia que, parece, não podeis compreender.
20. Sois muito errante?R: Sim. Isto é, não pertenço a nenhum planeta exclusivamente.
21. E os vossos executantes? São, também, errantes?R: Errantes como eu.
22. (A Mozart). Teríeis a bondade de explicar o que acaba de dizer Chopin? Não compreendemos essa execução por Espírito errantes.R: Compreendo o vosso espanto. Entretanto já vos disse­mos que há mundos particularmente afetos aos seres errantes, mundos nos quais podem habitar temporariamente, espécies de bivaques, de campos de repouso para seus Espíritos, fatigados por uma longa erraticidade, estado sempre um pouco penoso.
23. (A Chopin). Reconheceis aqui um de vossos alunos?R: Sim. Parece.
24. Teríeis a bondade de assistir à execução de um trecho de vossa composição?R: Isto me daria muito prazer, sobretudo quando executado por uma pessoa que guardou de mim uma grata recordação. Que ela receba os meus agradecimentos.
25. Quereis dar a vossa opinião sobre a música de Mozart?R: Gosto muito. Considero Mozart como meu mestre.
26. Partilhais de sua opinião sobre a música de hoje?R: Mozart disse que a música era melhor compreendida em seu tempo do que hoje. Isto é verdade. Objetarei, entretanto, que ainda existem verdadeiros artistas.

Para ouvir música:

http://www.4shared.com/file/87943989/3956f68b/Sonata_Mediunica_de_Mozart.html

2 comentários:

Sheyla disse...

Oi amigo, visitei seu Blog porque fui espírita por 20 anos e gostaria de convidar voce a visitar o meu :

http://nolimiardaultimafronteira.blogspot.com

Grande abraço!

Sheyla

Anónimo disse...

Eu posso comentar? muito obrigado! estou aqui a agradecer pela fonte de informações e mensagens preciosas para nosotros! esta notícia, graças a Deus, eu a tinha lido em outro site, neste mesmo dia, mas aqui eu me deparo com a música para ser ouvida! agradeço-vos com alegria, Luz e amor em seu coração irmão